Ensaios, e mais ensaios, e vamos progredindo assim, nossa ideia, é mostrar e demonstrar diversas formas de começo de escravização, como eram capturados ou ganhos, talvez vendidos. Agora segue as imagens do ensaio que ocorreu no dia 17.11 (Pré-Ensaio Final) e verá também um pouco mais sobre as representações artísticas e ícones que representam a Cultura Africana.
Arte Afro-Brasileira
I. A RAIZ AFRICANA E A RECRIAÇÃO AFRO-BRASILEIRA
Arte Afro-Brasileira
I. A RAIZ AFRICANA E A RECRIAÇÃO AFRO-BRASILEIRA
Embora
nascida a partir de uma funda raiz africana, a arte afro-brasileira teve um
longo percurso de séculos que lhe possibilitou, não só uma visível autonomia,
como uma criatividade própria. Ela percorreu uma trajetória de trocas,
sobretudo com os europeus, no seio de um mundo escravocrata e católico que lhe
acarretou perdas e ganhos, continuidade e mudança, sem contudo ter havido uma
ruptura.
Essa arte
permaneceu realimentada pela seiva africana que lhe inspira uma visão de mundo
herdada do continente negro, mas sujeita a uma dinâmica proveniente da evolução
da sociedade brasileira. Participou de tal modo na construção e desenvolvimento
dessa sociedade que, pioneiramente, Gilberto Freyre considerou o negro como “um
co-colonizador, apesar da sua condição de escravo”. Após a Abolição ele
continuou sofrendo uma enredada, mas pertinaz discriminação racial.
1. A ARTE
AFRICANA TRADICIONAL
A arte
africana, presente nas sociedades predominantemente rurais, não tem o propósito
de ser uma reprodução literal da realidade ou um objeto de pura contemplação,
embora o seja também de deleite espiritual e estético.
A sua função
primordial é a de produzir valores emocionais para as comunidades às quais
pertence e que possuem um saber cultural já estabelecido. Por via disso, as
pessoas dessas comunidades têm uma capacidade de compreendê-la que antecede
qualquer reflexão. São apreciadas não pelo que apresentam, mas sim pelo que
representam.
A também
chamada “arte negra” acompanha a vida da comunidade, é instrumento da sua
relação com o espiritual, participando dos ritos e rituais da vida doméstica
desde o nascimento, os ritos de passagem, passando pela morte e continuando na
perene ligação com a ancestralidade.
Essa arte
africana não tem compromisso com o retrato da realidade. Ela se apresenta sem a
simetria e a proporção que poderíamos esperar. Quase sempre a cabeça é
demasiado grande, pois ela representa a personalidade, o saber, sobretudo
quando é a de um “Mais Velho” da comunidade; a língua, por vezes ultrapassa a
cavidade da boca: ela expressa a fala, que é a chave da tradição oral; a
barriga e os seios femininos representam a fertilidade; os pés, normalmente
grandes, são bem fixados na terra.
Tais
representações são expressões culturais, sujeitas a diversidades étnicas, mas
todas provenientes do sopro do Criador, que emite uma força vital (axé, no
Brasil dos orixás, vindos do oeste nigeriano e leste do Benim). Essa força
vital circula por todos os reinos do universo: o humano e o animal, o vegetal e
até o mineral, e é passível de ser manipulada, e assim transferida entre todos
os seres, através da intervenção dos ancestrais, tendo como intermediários-intérpretes
os sacerdotes.
Essa arte
africana, de base rural-comunitária, que feria os cânones europeus até quase o
final do século XIX, atraiu, com o seu “expressionismo”, pintores como Picasso
e Braque, quando eles enveredaram pelo cubismo. Entretanto, por essa mesma
época, os europeus também reagiram com espanto a um outro tipo de arte
africana: foram trazidos para a Europa, após a conquista colonial, os “bronzes
de Benim”. O crítico alemão F. von Luncham escreveu, em 1901: “Estes trabalhos
de Benim (elaborados com a secular técnica da ‘cera perdida’) estão no patamar
mais elevado da técnica de fundição da Europa. Cellini, e ninguém antes nem
depois dele, poderia tê-los fundido melhor”. Essas cabeças e estátuas em bronze
eram já assim produzidas pelos iorubás desde o século XVI, conforme
testemunharam os portugueses quando ali aportaram no tempo das navegações.
Não é
propósito deste texto tratar da arte africana contemporânea, produzida
sobretudo no período pós-colonial. Esta, seja figurativa ou abstrata, carrega a
tradição mas tem propósitos semelhantes ao de qualquer arte contemporânea de
caráter internacional.
Entretanto,
artistas e artesãos continuam produzindo a arte tradicional, quer para uso
comunitário, quer para deleite dos turistas. Parte dela, de qualidade bem
menor, é chamada de “arte de aeroporto”.
2. A
RECRIAÇÃO AFRO-BRASILEIRA
Analisando a
fraca presença do negro brasileiro nas artes visuais contemporâneas, em
flagrante contraste com o período do barroco, quando eram dominantes, Clarival do
Prado Valadares, num texto de 1988, menciona que essa presença passou a
traduzir-se, quase que exclusivamente no que se convencionou chamar de “arte
primitiva”. E explicava que essa arte, aceitavelmente dócil, era o que se
esperava do negro. Enfim, uma arte adequada ao lugar que era permitido ao negro
na sociedade brasileira.
Compreende-se
melhor isso ao consultar uma publicação do Ministério das Relações Exteriores,
em 1966, intitulada Quem é Quem nas Artes e Letras do Brasil. Nela estão
listadas 298 fichas biográficas de artistas brasileiros. Dessa lista, somente
16 eram negros. O mesmo Itamaraty, numa edição, em francês, do seu Anuário de
1966 (p. 227) assinala que, no que respeita à cor: “a maioria da população
brasileira é constituída de brancos; a percentagem de mestiços é fraca”.
Hoje, não só
desapareceu dos Anuários do Itamaraty essa “distração” étnica quanto progrediu
a participação dos negros nas artes nacionais. No entanto, em tempo algum os
negros constituíram uma elite nas nossas artes como aconteceu na época do
barroco.
II. O
BARROCO AFRO-BRASILEIRO
O barroco
brasileiro, com epicentro em Minas Gerais, mas com núcleos importantes em
Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro, beneficiou-se economicamente do Ciclo do
Ouro das décadas de 1729 a 1750. Além de terra das pedras preciosas, Minas
Gerais era o maior centro mundial de produção do ouro na primeira metade do
século XVIII. Apesar das restrições da Metrópole, preocupada quase que
exclusivamente com a arrecadação do metal para cunhagem de moedas, Vila Rica,
atual Ouro Preto, era uma das mais faustosas cidades do mundo dessa época. No
entanto, o auge do barroco só viria a ocorrer um pouco depois, na segunda
metade do século XVIII.
Sua
inspiração é européia, sobretudo italiana e francesa (estilo rococó). O barroco
foi uma tentativa de resposta ideológica e artística da Contra-Reforma, à
expansão das doutrinas ditas protestantes da Reforma e também à herança
humanista da Renascença. Isso ajuda a explicar a extrema religiosidade do
barroco; ele pretendia o triunfo da sensibilidade teatral sobre o intelectual.
Foi do
período barroco que resultaram os mais belos monumentos religiosos do Brasil,
no dizer de Fernando Azevedo, que acrescenta ter sido o setecentos o “século do
Aleijadinho”.
Este foi o
gênio que deu aos “centros urbanos de Minas Gerais algumas das igrejas rococó
mais belas do mundo”. É natural, portanto, que muitos críticos considerem que é
com o estilo barroco que se inicia, de fato, a história das artes no Brasil.
Além do ouro
e das pedras preciosas, o barroco mineiro foi beneficiado por outras
circunstâncias. Uma delas relaciona-se com as associações laicas chefiadas por
patronos abastados e a outra foi o enfraquecimento das ordens religiosas,
provocado pela política laica e centralizadora do Marquês de Pombal,
primeiro-ministro do rei D. José I, de Portugal. Essas ordens religiosas, além
de exclusivistas do ponto de vista racial, não toleravam a participação de quem
não provasse ter “sangue puro” (judeus, por exemplo).
Outro fator
benéfico foram as Irmandades, a quem estavam ligadas as corporações de ofícios.
Estas eram separadas pela cor dos seus membros: brancos, pardos (ou mulatos) e
pretos, que competiam entre si. Contudo, não era uma competição muito
excludente já que, com freqüência, o talento era priorizado. Dois exemplos: foi
a Irmandade do Rosário dos Homens Pretos quem patrocinou a publicação, em
Lisboa, do livro Testemunho Eucarístico de o Aleijadinho, assim como ele foi o
escolhido pela Irmandade de São Francisco, de brancos, para fazer a planta e
construir as suas duas mais belas igrejas, em Vila Rica e em São João d’El Rei.
O
ALEIJADINHO E MESTRE VALENTIM
Esses dois
símbolos da brasilidade nasceram na mesma época, na mesma capitania de Minas
Gerais e morreram com a diferença de um ano. No entanto, não há notícia de que
tenham se encontrado. Ambos eram filhos de pai português e mãe escrava. O
primeiro, atuou em Minas Gerais, o segundo, no Rio de Janeiro. O Aleijadinho,
no terreno da arte religiosa, arquitetura e escultura. Mestre Valentim
imortalizou-se no campo do urbanismo e da construção civil.
Por quê os
nomes de o Aleijadinho e de Mestre Valentim são tão facilmente reconhecidos por
qualquer brasileiro razoavelmente informado, mesmo que ele nunca tenha lido um
livro de arte colonial? Myriam Ribeiro de Oliveira, num estudo comparativo
entre essas duas figuras maiores da arte brasileira, fez essa pergunta. Segundo
ela, a sobrevivência desses dois nomes na memória coletiva brasileira não se
explica somente pela qualidade de suas obras, e comenta: “Há algo com raízes
mais profundas na psicologia do povo brasileiro que arriscaríamos chamar de uma
espécie de identidade nacional com esses dois artistas, ambos mulatos e,
portanto, representantes autênticos da originalidade de uma cultura criada na
periferia do mundo e que apresenta tal força e originalidade”.
Originalidade
capaz de manifestar uma força expressionista, de talha geométrica, angulosa,
tão próxima da África como se sente em o Aleijadinho. O mesmo se pode dizer do
Mestre Valentim, com os traços negróides de suas esculturas e pinturas. Quem
nos sugeriu o reconhecimento dessa africanidade presente na arte desses dois
mestres – e em tantos outros artistas, menos estudados – foi o crítico George
Nelson Prestan, com a sua teoria do Neoafricanisimo voltada para a evolução da
arte da diáspora africana nas Américas.
Emanel
Araújo lembra que Mário de Andrade chamava de racialidade brasileira essa marca
deixada pelos nossos artistas negros. Já Sérgio Buarque de Holanda preferiu o
termo mulatismo, que não se limita aos dois artistas aqui citados. O crítico
Augusto de Lima Júnior considera o mulatismo uma marca que se reconhece em
artistas dessa época, muitas vezes anônimos, que também apresentavam traços
negróides nas figuras humanas dos painéis que pintavam.
ANTÔNIO
FRANCISCO LISBOA, O ALEIJADINHO (VILA RICA – C. 1738-1814)
Era filho de
arquiteto português e de mãe escrava. Aprendeu arte com o pai, com quem mais
tarde concorreu para a execução de alguns projetos. Entre as inúmeras igrejas
que construiu em Minas Gerais, a que lhe granjeou mais fama foi a de São
Francisco de Assis, de Ouro Preto, com as inovadoras plantas elípticas e de
torres redondas, quebrando com essa concepção original a uniformidade do
barroco de importação, inspiração do novo barroco de Borromini.
No entanto,
foi como escultor que produziu as suas melhores obras: os doze profetas
esculpidos em pedra sabão e as 66 figuras em madeira pintada que reproduzem os
Passos da Paixão de Cristo. Elas se encontram no exterior do Seminário de Bom
Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo (MG).
Perto dos 50
anos, uma doença degenerativa consumiu seu corpo, levando-o a ter que trabalhar
com os instrumentos amarrados no coto dos braços e com a ajuda de discípulos,
entre eles dois escravos de origem nigeriana.
VALENTIM DA
FONSECA E SILVA (C. 1750-1813)
Conhecido
como Mestre Valentim, era filho de um pequeno fidalgo português, tornado
contratador de diamantes, e de mãe escrava. Viveu parte da sua infância e mocidade
em Portugal, onde estudou com grandes mestres, inclusive Bartolomeu da Costa,
autor da estátua do Marquês de Pombal, com quem aprendeu a torêutica, arte de
esculpir ou cinzelar madeira, marfim e metais. De regresso ao Brasil, no final
do século XVIII, tornou-se o maior empresário de obras do que hoje poderíamos
chamar de urbanismo paisagístico e arquitetura de equipamentos urbanos.
Exemplos mais conhecidos dessas obras são as realizadas no Rio de Janeiro no
Passeio Público e no chafariz da Praça XV. No Passeio, com os maciços de
árvores em canteiros, estátuas de seres mitológicos e fontes jorrando em
cascata, construiu um espaço “parisiense” adaptado aos trópicos. Essas obras
foram quase todas encomendadas pelo Vice-rei D. Luís de Vasconcelos e Souza, durante
o seu governo no Rio entre 1779 e 1790.
A produção
de talha e imagens de santos do Mestre encontra-se em igrejas do Rio de
Janeiro, como as da Boa Morte, do Mosteiro de São Bento, da Ordem Terceira do
Carmo e de São Francisco de Paula.
O
Aleijadinho e Mestre Valentim utilizaram fontes distintas para a elaboração do
seu modelo próprio. Mestre Valentim, pelo que se sabe, foi mais inspirado pelo
rococó da Escola do Porto. Entre os discípulos de Mestre Valentim, os mais
citados são: Simeão José de Nazaré, Francisco de Paula Borges e José Carlos
Pinto. Formados no ateliê de o Aleijadinho destacaram-se José Soares da Silva e
Justino Ferreira de Andrade. São admirados também os entalhadores Agostinho e
Maurício, escravos de o Aleijadinho.
Registrem-se,
finalmente, os biógrafos desses dois artistas: Rodrigo Gerreira Bretas,
professor da província de Minas Gerais, que publicou a biografia de o
Aleijadinho, em 1858, no Correio Oficial de Minas, em Ouro Preto; e Manuel de
Araújo Porto-Alegre, professor da Academia de Belas Artes, que publicou, em
1856, na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, a primeira
biografia de Mestre Valentim.
MANUEL DA
CUNHA (1762-1809)
É o único
pintor que se conhece ter iniciado a sua carreira na condição de escravo e
comprado a alforria com o produto de sua arte. Nascido e falecido no Rio de
Janeiro, conseguiu, depois de livre, completar os seus estudos em Lisboa,
dedicando-se à pintura e escultura.
Formou
muitos discípulos, numa escola que mantinha em sua casa. Foi autor de murais
espalhados por várias igrejas do Rio de Janeiro, com destaque para os que
executou na Igreja da Boa Morte.
MANUEL DA
COSTA ATAÍDE (1762-1830)
Considerado
o maior pintor sacro do século XVIII, fez parte de um grupo de artistas
denominado “Escola de Mariana”. A sua atuação em várias irmandades religiosas
levou-o a receber a patente de alferes e, pouco depois, sendo titulado Mestre
em Arquitetura e pintura. O seu estilo barroco, embora influenciado pelas
escolas italiana e francesa, deixava transparecer a sua origem africana, não só
nas feições das figuras como na escolha das cores em suas obras. Entre elas
destaca-se a Glorificação da Virgem, pintada na nave da Igreja de São Francisco
de Assis, em Ouro Preto e A Ceia do Senhor, no Colégio do Caraça, em Santa
Bárbara, MG.
III. O NEGRO
NAS ARTES NO SÉCULO XIX
O século XIX
vai proporcionar uma nova feição às artes visuais brasileiras. Em Novembro de
1800 foi criada, no Rio de Janeiro, a Escola Pública de Desenho e Figura. A
chegada da corte portuguesa, em 1808, foi um marco nessa mudança, sobretudo com
a chegada, em 1816, da Missão Francesa que irá instituir o Neoclassicismo no
Brasil. As artes passam então a participar diretamente de um circuito
internacional que o barroco não tivera. Diga-se, de passagem, que o isolamento
internacional que o barroco sofreu terá, provavelmente, contribuído para a sua
originalidade tão afro-brasileira.
Logo depois
da chegada dos professores franceses foi criada, em agosto de 1818, a Escola
Real de Artes e Ofícios no Rio de Janeiro. Dois anos depois, com a colaboração
francesa é criada a Escola Imperial de Artes que se tornará, em 1890, a Escola
Nacional de Belas Artes.
Se no
período colonial a maior parte dos nossos tesouros artísticos foi de autoria de
negros, o mesmo não ocorrerá nos séculos XIX e XX. É preciso ter presente a
mentalidade reinante nessa época de escravismo, onde qualquer tipo de trabalho,
mesmo artístico, era indigno de um branco da casa-grande.
Dessa regra
eram quase a única exceção os padres que, de modo geral, aprendiam as artes na
Metrópole. Para uma eficaz ação evangélica da Igreja eram indispensáveis várias
artes, e não só a retórica dos sermões. Eram necessários muitos templos, que se
espalhavam por cada capitania. Cada um deles requisitava arquitetos, pintores,
escultores, músicos (o padre José Maurício Nunes Garcia é o músico mais
reverenciado da época). E não esqueçamos os corais, quase todos formados por
negros, principalmente até meados do setecentos, por jesuítas.
No início do
século XIX, em face dos fatos atrás relatados, bem como da consolidação do
estilo implantado pela Academia, há um grande aumento de encomendas dos
governos, expande-se o mercado das artes e aumentam as viagens de estudo ao
exterior. Pela capacidade que a arte adquire de constituir carreiras
promissoras, ela finalmente passa a atrair os filhos da aristocracia rural e da
burguesia emergente.
O artista
negro se refugia, na sua maioria, na arte de inspiração religiosa
afro-brasileira ou numa produção de tipo naif. Mencionaremos aqui, já no século
XX, os casos de Heitor dos Prazeres e de Mestre Didi. Contudo, durante os anos
do oitocentos, alguns artistas negros se sobressaíram na arte propugnada pela
Academia. Entre estes, citamos: Firmino Monteiro, Estevão Silva, Fernando Pinto
Bandeira e Artur Timóteo da Costa.
A arte
afro-brasileira só passou a ser devidamente valorizada, como expressão de grandeza
de brasilidade, a partir do Movimento Modernista dos anos de 1920 e nas
excursões que Mário de Andrade liderou por Minas Gerais e Nordeste. O
reconhecimento ganhou foros intelectuais com a criação da Universidade de São
Paulo em 1934 e, a seguir, com a Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro.
IV ARTISTAS
CONTEMPORÂNEOS
1. HEITOR
DOS PRAZERES
(1898-1966)
Compositor e
pintor nascido e falecido no Rio de Janeiro, foi um sambista pioneiro,
participando da fundação das escolas de samba da Portela e da Mangueira. Rubem
Braga, no seu texto Três primitivos, narra seu passado de menino de rua e suas
parcerias musicais com os sambistasSinhô e Noel Rosa. A sua carreira de pintor
só foi iniciada em 1936, tendo como inspiração o samba e o cotidiano dos morros
cariocas, onde a sua gente aparecia nos seus quadros com o rosto em perfil, o
corpo de frente e “os dentinhos de fora”. Tornou-se prestigiado após a sua
participação na I Bienal de São Paulo, em 1951, e foi um dos representantes da
delegação brasileira no Festival Mundial de Arte Negra, em Dacar
(Senegal,1966).
2. MESTRE
DIDI (1917)
Nome pelo
qual se fez conhecido Deoscóredes Maximiliano dos Santos, nascido em Salvador,
filho biológico da renomada ialorixá Mãe Senhora, da nação Ketu, do Axé Opó
Afonjá. Além de açobá, Mestre Didi é alto dignatário do culto dos ancestrais na
Bahia. O seu livro mais conhecido, publicado em 1962 e reeditado, intitula-se
Contos negros da Bahia. Os seus trabalhos, de cunho ritual, são sobretudo
esculturas feitas com produtos naturais.
Na
contemporaneidade do século XX, os artistas negros enveredaram por várias
escolas, sem que, no entanto, deixassem de marcar a sua afro-brasilidade. A
dimensão dedicada a este trabalho não permite – e também não é tão necessária –
uma introdução, como foi feita nos capítulos anteriores. Limitamo-nos assim, a
pequenos verbetes de alguns dos artistas considerados relevantes. Seguimos a
ordem cronológica.
DJANIRA DA
MOTTA E SILVA (1914-79)
Embora não
tivesse sangue negro, dedicou grande atenção à cultura e às tradições
africanas. Descendente de índios guaranis e de austríacos, nasceu no interior
de São Paulo e foi morar na capital, onde passou uma vida de privações.
Contraiu tuberculose aos 23 anos, mas conseguiu sobreviver. Mudou-se para o
Rio, onde trabalhou como modista e cozinheira, contudo logrou conseguir aulas
de pintura com Emeric Marcier e freqüentou o Liceu de Artes e Ofícios. Começou
a expor a partir de 1942, com ampla aceitação da crítica e dopúblico. Fez o
retrato apaixonado de sua terra e sua gente,sem jamais recorrer ao anedótico,
sem concessões aofácil e ao pitoresco. Nunca se considerou uma pintora ingênua.
JOSÉ DE DOME
(1921-1982)
Nome
artístico do sergipano José Antônio dos Santos. Realizou sua primeira exposição
individual em 1955. Figurativista intuitivo e lírico, dedicou-se a paisagens e
a tipos populares. Em Cabo Frio,onde viveu grande parte da sua vida, o prédio
da Secretaria de Cultura tem o seu nome.
Sua carreira
se projeta a partir de 1942 e dois anos depois expôs na Bahia aquele que é
considerado como o primeiro quadro abstrato executado no estado. Foi expositor
constante, como pintor e escultor, na Bienais de São Paulo entre 1955 e 1977.
Participouda delegação brasileira em doisfestivais mundiais de Arte Negra: em
Dacar (1966) e em Lagos (1977), com uma arte geométricaostentando símbolos dos
cultos afro-brasileiros.
Nascido no
Ceará, formou-se em Paris, onde veio a falecer. Com valiosa produção
abstracionista, participou das Bienais de São Paulo e Veneza, e tem sua obra
distribuída por diversos museus no Brasil e no exterior. Ocupa uma das mais
destacadas posições em toda a história da arte brasileira.
OTÁVIO
ARAÚJO (1926)
Nascido em
São Paulo, de condição modesta, conseguiu realizar asuaprimeira exposição no
Rio de Janeiro em 1946, participando do “Grupodos 19”. A obtenção de um prêmio
permitiu-lhe viajar para a Europa. Foi assistente de Portinari entre 1952 e
1957. Viajou então para a União Soviética, onde abraçou o surrealismo eslavo,
então em voga entre os dissidentes soviéticos.
MARIA
AUXILIADORA (1938-74)
Artista
mineira, teve a sua produção marcada por uma técnica de colagem de cabelo
natural, que iniciou em 1968. Ela descreve: “A tinta já ia junto com o cabelo,
já na tela, já ia bater no pincel para ficar ali (...). Nesse ano, o meu quadro
de candomblé ganhou o 1º prêmio em Embú”. A outra característica, onde alguns
vêm um afloramento da pop art, é a utilização da massa plástica para obter
relevo e movimento. Na sua arte misturam-se sexualidade e temas religiosos,
fertilidade e candomblé.
Artista
baiano que, através da gravura, da madeira e do aço, do figurativo ao abstrato,
sempre se inspirou nas tradições do povo baiano.
Como crítico
de arte, produtor e administrador cultural (Pinacoteca de São Paulo) e
possuidor de uma importante coleção de obras de arte, ele organizou, em 1988, o
livro A mão afro-brasileira, a mais completa obra sobre o tema.
OBS: Os convites para o teatro serão distribuidos no dia 18.11
Att: Equipe 1ºF











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